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Precificação no varejo: 5 erros que corroem sua margem de lucro

Como calcular preços corretamente e parar de perder dinheiro sem perceber

Precificação no varejo: 5 erros que corroem sua margem de lucro

Você vende bem, o movimento é bom, mas no fim do mês o dinheiro simplesmente não sobra. Se essa situação parece familiar, o problema pode estar onde você menos espera: na formação de preço. Pesquisas do Sebrae apontam que 60% dos pequenos varejistas não sabem calcular corretamente o preço de venda — e acabam descobrindo o prejuízo tarde demais, quando a conta não fecha.

Por que precificar errado é tão perigoso?

Diferente de outros erros operacionais que aparecem rápido (falta de produto, caixa travado), a precificação errada é silenciosa. Você continua vendendo, girando estoque, pagando fornecedor — mas a margem real vai sendo corroída centavo por centavo. Quando percebe, já acumulou meses de prejuízo disfarçado de faturamento.

Erro 1: Usar markup fixo para todos os produtos

O clássico 'dobro o custo e pronto' é uma armadilha. Cada categoria tem custos operacionais diferentes: produtos refrigerados consomem mais energia, itens frágeis têm mais perda, mercadorias pesadas custam mais frete. Aplicar 100% de markup em tudo significa que alguns produtos dão lucro e outros dão prejuízo — e você não sabe quais.

Na prática: Uma padaria que aplica 50% em todos os pães pode lucrar no pão francês (baixo custo de produção) e perder no pão recheado (mais ingredientes, mais tempo de preparo, mais perda por validade).

Erro 2: Esquecer os custos invisíveis na conta

Muitos lojistas calculam: Custo do produto + margem = preço de venda. Só que o custo real vai muito além do que você pagou ao fornecedor.

  • Taxa do cartão: 2% a 4% por venda no crédito
  • Impostos: ICMS, PIS, COFINS variam por produto e regime tributário
  • Frete: especialmente em compras fracionadas
  • Perdas: quebra, validade, furto (média de 2% a 5% no varejo alimentar)
  • Rateio de despesas fixas: aluguel, luz, funcionários divididos pelo volume de vendas

Eu achava que tinha 30% de margem no açougue. Quando coloquei na ponta do lápis a perda por desidratação da carne, a taxa do cartão e o rateio da câmara fria, vi que estava trabalhando com 12%. Quase no zero a zero.

Roberto Mendes, Atacarejo Central

Erro 3: Precificar olhando só o concorrente

Acompanhar preço da concorrência é importante, mas copiar cegamente é suicídio financeiro. O supermercado da esquina pode ter custo de compra menor (volume maior), aluguel mais barato ou até estar precificando errado também. Se você iguala o preço sem ter a mesma estrutura de custo, você herda o prejuízo dele.

A regra de ouro: primeiro calcule seu preço mínimo viável (que cobre todos os custos + margem mínima), depois compare com o mercado. Se o concorrente está abaixo do seu mínimo, você precisa reduzir custos ou aceitar que aquele produto não é para competir em preço — e sim em conveniência, qualidade ou atendimento.

Erro 4: Não revisar preços após mudanças de custo

Fornecedor reajustou 8%, você não atualizou a etiqueta, e agora está vendendo com 8% menos de margem. Parece óbvio, mas em lojas com milhares de SKUs isso acontece toda semana. O problema se agrava quando o reajuste vem em nota fiscal que ninguém confere item por item.

  • Crie rotina semanal de revisão de custos nos itens de maior giro
  • Configure alertas para variação de custo acima de 5%
  • Use sistema que compara automaticamente o custo da última compra com o anterior
  • Priorize atualização imediata em produtos de curva A (80% do faturamento)

Erro 5: Ignorar a curva ABC na estratégia de preço

Nem todo produto merece o mesmo cuidado na precificação. A curva ABC mostra que cerca de 20% dos itens representam 80% do seu faturamento. Errar o preço de um produto curva A (arroz, leite, cerveja) custa muito mais do que errar em um item curva C que vende duas unidades por mês.

Estratégia inteligente: mantenha margens apertadas nos produtos curva A (que o cliente compara preço) e compense com margens maiores nos itens curva B e C (onde o cliente não pesquisa tanto). É assim que redes grandes conseguem ter preço competitivo no básico e ainda lucrar.

Depois que passei a trabalhar com margem diferenciada por curva, meu lucro líquido subiu 4 pontos percentuais sem perder cliente. O segredo foi entender onde dá pra apertar e onde dá pra ganhar.

Carla Silva, Mercado Bom Preço

Checklist: como montar seu preço de venda corretamente

  1. Levante o custo de aquisição (valor da nota + frete + seguro)
  2. Some os impostos sobre venda (ICMS, PIS, COFINS, ISS se aplicável)
  3. Adicione taxa média de cartão (pondere entre débito, crédito e Pix)
  4. Inclua percentual de perdas estimado para a categoria
  5. Calcule o rateio de despesas fixas (despesas mensais ÷ faturamento médio)
  6. Defina a margem líquida desejada (mínimo 5% para varejo alimentar)
  7. Aplique a fórmula: Preço = Custo ÷ (1 - soma dos percentuais)
  8. Compare com mercado e ajuste estratégia por curva ABC

Perguntas frequentes sobre precificação no varejo

Qual a margem de lucro ideal para supermercado?
A margem líquida média do setor supermercadista brasileiro fica entre 2% e 4%, segundo a ABRAS. Já a margem bruta varia de 15% a 25% dependendo do mix. Lojas menores podem buscar margens líquidas de 5% a 8% compensando em atendimento e conveniência.
Markup e margem são a mesma coisa?
Não. Markup é o percentual que você adiciona sobre o custo (ex: custo R$10 + 50% markup = R$15). Margem é o percentual do lucro sobre o preço de venda (no mesmo exemplo, R$5 de lucro ÷ R$15 = 33% de margem). Confundir os dois é um erro comum que distorce toda a análise.
Com que frequência devo revisar os preços da loja?
Itens curva A devem ser revisados semanalmente ou a cada nova compra. Curva B, quinzenalmente. Curva C, mensalmente. Além disso, sempre que houver reajuste de fornecedor, mudança de alíquota ou variação significativa no dólar (para importados).
Como precificar produtos de fabricação própria (padaria, rotisseria)?
Calcule a ficha técnica com todos os ingredientes, proporcionais à receita. Some mão de obra direta (tempo de preparo × custo/hora do funcionário), energia (forno, equipamentos) e embalagem. Aplique o mesmo rateio de despesas fixas e margem dos demais produtos.
Devo igualar preço de promoção do concorrente?
Depende. Se for item curva A e você consegue manter margem mínima positiva, pode valer para não perder cliente. Se for curva C ou se você ficaria no prejuízo, é melhor não entrar na guerra. Promoção do concorrente pode ser queima de estoque ou erro de precificação — não copie cegamente.
Sistema de gestão ajuda na precificação?
Sim, e muito. Um bom sistema atualiza custo automaticamente a cada entrada de nota, calcula margem real considerando impostos e taxas, alerta sobre variações de custo e gera relatórios de rentabilidade por produto, categoria e fornecedor — informações impossíveis de manter manualmente em lojas com muitos itens.
Redação NewPDV

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