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Gestão de mix de produtos: como montar sortimento que vende mais

Descubra como equilibrar variedade e giro para maximizar vendas por metro quadrado

Gestão de mix de produtos: como montar sortimento que vende mais

Você olha para as prateleiras e vê centenas de produtos. Mas quando confere o relatório de vendas, descobre que 30% deles não giram há mais de 60 dias. Enquanto isso, falta espaço para os itens que realmente vendem. Esse é o dilema do mix de produtos: ter variedade demais pode ser tão prejudicial quanto ter de menos. A boa notícia? Existe método para resolver isso.

O que é gestão de mix de produtos e por que ela define seu lucro

Gestão de mix de produtos é a ciência de escolher QUAIS itens manter na loja, em QUAL quantidade e em QUAL posição. Não é sobre ter tudo — é sobre ter o certo. Um supermercado médio brasileiro trabalha com 8.000 a 15.000 SKUs. Mas estudos da Nielsen mostram que 80% do faturamento vem de apenas 20% dos produtos. Os outros 80% ocupam espaço, empatam capital e geram perdas.

Quando o mix está errado, você sofre em três frentes: capital de giro preso em estoque parado, ruptura dos itens que realmente vendem e custo de armazenagem de produtos encalhados. O resultado? Margem comprimida e cliente insatisfeito.

Como usar a Curva ABC para limpar seu sortimento

A Curva ABC é a ferramenta mais poderosa para gestão de mix. Ela classifica seus produtos em três grupos baseado no faturamento:

  • Classe A (20% dos SKUs): Geram 80% do faturamento. São seus campeões de venda — nunca podem faltar.
  • Classe B (30% dos SKUs): Respondem por 15% das vendas. Produtos importantes, mas com giro moderado.
  • Classe C (50% dos SKUs): Apenas 5% do faturamento. Aqui mora o perigo — muitos podem ser cortados.

O erro comum é olhar apenas faturamento. Você precisa cruzar com margem de contribuição e frequência de compra. Um produto Classe C em vendas pode ser Classe A em margem — como vinhos especiais ou importados. Já um Classe A em volume pode ter margem tão baixa que não compensa o espaço.

Quando rodamos a Curva ABC cruzada com margem, descobrimos que tínhamos 340 SKUs que não vendiam há 90 dias e ocupavam 12% da área de gôndola. Cortamos 280 deles e o faturamento por metro quadrado subiu 18% em dois meses.

Roberto Mendes, Atacarejo Bom Preço

Checklist: 7 critérios para decidir se um produto fica ou sai

Antes de cortar um produto do mix, passe por esta análise:

  1. Giro de estoque: Vendeu nos últimos 60 dias? Se não, sinal amarelo.
  2. Margem de contribuição: Está acima da média da categoria? Produtos de baixa margem precisam ter alto giro.
  3. Complementaridade: O cliente compra junto com itens de alta margem? Carvão vende pouco, mas puxa cerveja.
  4. Sazonalidade: É um item sazonal fora de época? Panetone em março é problema; em outubro, oportunidade.
  5. Exclusividade: Só você tem na região? Pode justificar giro baixo se atrai clientes específicos.
  6. Fornecedor estratégico: Faz parte de um mix obrigatório para manter parceria importante?
  7. Custo de reposição: Se cortar e o cliente pedir, consegue repor rápido? Ou perde a venda definitivamente?

Se o produto falhar em 4 ou mais critérios, é candidato forte para corte. Se falhar em todos, não perca tempo — liquide e libere espaço.

Estratégia de sortimento por tipo de loja

O mix ideal varia conforme seu formato de varejo. Não adianta copiar o sortimento do concorrente se o perfil de cliente é diferente:

Supermercado de bairro (300-800m²)

Foco em conveniência e reposição rápida. O cliente vem buscar o que faltou, não fazer compra do mês. Priorize: itens de primeira necessidade, produtos frescos (diferencial vs. atacado), marcas líderes e uma opção econômica por categoria. Evite: variedade excessiva de tamanhos (3 opções bastam) e marcas desconhecidas sem giro comprovado.

Conveniência (até 150m²)

Espaço é ouro. Cada centímetro precisa render. Trabalhe com no máximo 2 opções por categoria: líder de mercado + marca própria ou econômica. Foque em itens de consumo imediato (bebidas geladas, snacks, cigarro) e emergência (medicamentos OTC, pilhas, carregadores). Giro mínimo aceitável: 15 dias.

Atacarejo / Distribuidor

Aqui a lógica inverte: profundidade supera variedade. O cliente quer comprar volume de poucos itens, não variedade. Priorize embalagens econômicas, fardos e caixas fechadas. Mantenha menos marcas, mas com estoque profundo. O custo de ruptura é alto — cliente B2B não espera.

Como identificar e liquidar produtos encalhados

Produto encalhado é dinheiro parado. Quanto mais tempo na prateleira, maior a chance de perda por validade, dano ou obsolescência. Use esta régua de ação:

  • 30-60 dias sem venda: Reposicione na loja. Mude de prateleira, coloque em ponta de gôndola ou próximo a produtos complementares.
  • 60-90 dias: Promoção agressiva. Desconto de 20-30% ou leve 2 pague 1. Comunique com etiqueta destacada.
  • 90-120 dias: Liquidação. Venda pelo custo ou abaixo. O objetivo é recuperar capital, não lucrar.
  • Acima de 120 dias: Avalie doação (benefício fiscal) ou descarte. Manter custa mais que perder.

Criamos um 'cantinho da pechincha' com produtos acima de 60 dias sem giro. Vendemos com margem zero, mas liberamos R$ 23 mil em capital que estava travado. Esse dinheiro virou estoque de cerveja antes do verão — triplicou o retorno.

Carla Souza, Mercado Bom Preço

Indicadores para monitorar seu mix mensalmente

Gestão de mix não é projeto — é rotina. Acompanhe estes KPIs todo mês:

  • Giro médio de estoque: Quantas vezes o estoque total é renovado por mês. Meta: acima de 2x para perecíveis, 1x para secos.
  • % de SKUs sem venda (30/60/90 dias): Deve ficar abaixo de 5% em 30 dias, 2% em 60 dias.
  • Faturamento por m² de gôndola: Compare entre categorias. Realoque espaço dos piores para os melhores.
  • Cobertura de estoque em dias: Estoque atual ÷ venda média diária. Ideal: 15-30 dias para maioria dos itens.
  • Índice de ruptura: % de vezes que cliente pediu e não tinha. Meta: abaixo de 2% para Classe A.

Com esses números na mão, você toma decisões objetivas. Sem achismo, sem 'eu acho que esse produto vende bem'. Os dados mostram a verdade.

Perguntas frequentes sobre gestão de mix de produtos

Quantos produtos (SKUs) devo ter na minha loja?
Depende do tamanho e formato. Conveniência: 800-1.500 SKUs. Supermercado de bairro: 5.000-10.000. Hipermercado: 30.000+. O importante não é quantidade, mas adequação ao perfil do cliente e espaço disponível. Menos SKUs bem gerenciados vendem mais que muitos abandonados.
Como sei se devo incluir um produto novo no mix?
Avalie: existe demanda comprovada (clientes pedem)? Qual produto sairá para dar espaço? A margem é compatível com a categoria? O fornecedor garante reposição? Teste com quantidade mínima por 60 dias antes de ampliar.
Devo cortar produtos que vendem pouco mas têm margem alta?
Não necessariamente. Produtos de alto valor agregado (vinhos, importados, orgânicos) podem ter giro baixo mas margem que compensa. Calcule a contribuição absoluta: se um produto vende 5 unidades/mês com R$ 30 de margem cada, gera R$ 150. Compare com o custo do espaço que ocupa.
Com que frequência devo revisar meu mix de produtos?
Análise completa: trimestral. Monitoramento de encalhados: mensal. Revisão de Curva ABC: mensal. Itens sazonais: revisar 60 dias antes e depois da temporada. Lançamentos: avaliar performance após 90 dias.
O que fazer quando o fornecedor exige mix mínimo para dar desconto?
Calcule se o desconto compensa o capital empatado. Se o fornecedor exige 20 SKUs mas só 8 giram bem, o desconto de 5% pode não cobrir o custo de estoque parado dos outros 12. Negocie: proponha volume maior dos itens que vendem em troca de flexibilidade no mix.
Como equilibrar marcas líderes com marcas próprias ou econômicas?
Regra prática: líder de mercado + uma opção econômica + marca própria (se tiver). Para categorias de alto giro (arroz, feijão, óleo), três opções de preço funcionam. Para categorias de baixo giro, duas bastam. O cliente quer escolha, não confusão.
Redação NewPDV

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